Dia 20 de outubro, faltando exatamente um mês para o dia de Zumbi, nos deixa Luiz Carlos da Vila, autor de Kizomba , festa da raça! Grande perda para o meio musical e artístico brasileiro, mais especificamente para o mundo do samba e para todos nós, seus companheiros de luta. O Conselho Estadual dos Direitos do Negro não poderia deixar de registrar tal momento: “Valeu, Zumbi, o grito forte dos Palmares!”. Nesta frase o poeta eternizou o grito de liberdade dos negros brasileiros de forma poética e definitiva. O desfile da Unidos de Vila Isabel de 1988, não apenas mudou a estética das escolas de samba, mas trouxe para todo o movimento negro brasileiro um hino de fé e esperança em nosso povo. Não há nenhum encontro importante, nem manifestação que não comece ou termine com a música de Luiz Carlos, que nós dá a certeza de nossa participação na transformação do mundo, na formação de uma sociedade mais justa e menos discriminatória. Sabemos que “O show tem que continuar”, que “O sonho não acabou”, que o da Vila encontrou seu “Doce Refúgio”, vendo em todos os ramos cantarem os passarinhos nas manhãs! No entanto, estamos “Chorando de Saudade”, sentindo falta de um dos aficionados da quadra do Cacique de Ramos, um dos membros da ordem da tamarineira, que freqüentava as rodas das quartas-feiras com Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Fundo de Quintal e Sombrinha, e que sempre chamava a atenção de todos por sua poesia e lirismo.
Nossa amizade vem de longe, dos momentos intensos da juventude, sempre enfeitados por suas letras e melodias primorosas. Sua música valorizou Ramos, bairro em que nasceu em 1949, berço de sambistas, seu refúgio preferido.
Gravou vários discos, sendo o primeiro em 1985, onde apresentou seus sambas com os de Martinho da Vila, Manacéa e Zé Catimba, sempre com incríveis linhas melódicas, que o fizeram regravar seus sambas anos depois, como foi o caso de Além da razão, Kizomba e Carvão e giz. Foi produzido por Martinho da Vila em 1997, gravando um tributo a Candeia em 1998. Se dizia um compositor de partidos, já que não se considerava um partideiro. Sempre foi um guerreiro, tendo “A luz de um vencedor”, superando dificuldades, acreditando que Um cantar à vontade é prova da existência de Deus. Luiz Carlos da Vila brilhou em Cuba, quando se apresentou com Moacir Luz e outros bambas em maio deste ano, fazendo todos os cubanos cantarem e dançarem seus sambas , acreditando que “Não tem veneno” na música brasileira e que todos podem provar, como afirma sua música com Wilson Moreira.
Luiz Carlos da Vila, um dos maiores poetas brasileiros, descanse em paz!